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Thursday, 13 August 2009

Seminário Internacional Retornos do Real: cinema e pensamento contemporâneos

20/08/2009
CONFERÊNCIAS E MESAS-REDONDAS/LECTURES AND PANELS


09:00 – Mesa-redonda/Panels
Modalidades do Real/Panel Modalities of Realism
Ismail Xavier (Universidade de São Paulo)
Yingjin Zhang (University of California, San Diego)
mediador: Denilson Lopes



Ismail Xavier
O Exemplar e o Contingente no Teatro das Evidências

O binômio indexalidade-iconicidade postula(va) a imagem e o som do cinema como evidência de um confronto
com o Real que, por enquadramento e montagem, recebe(ia)m os ajustes portadores de sentidos. Filmes
contemporâneos exibem, entre outras estratégias, procedimentos miméticos afinados à narrativa clássica que
busca o exemplar (Ônibus 174), jogos de cena de um cinema-ensaio que explora o contingente e uma
exploração incisiva do estatuto das “evidências”, que embaralha esses dois pólos, não excluída a imagem digital
(Serras da desordem). Modalidades de realismo?

The Exemplary and the Contingent in the Theatre of Evidence

The binary indexicality vs. iconicity has taken, at least until now, the image and sound of cinema as evidence of
a confrontation with the Real, which, by way of framing and montage, received the necessary adjustments in
order to turn meaningful. Contemporary films exhibit, among other strategies, mimetic procedures akin to a
classical narrative in search of the exemplary (Ônibus 174), scenic games proper to a film-essayism that
explores the contingent (Jogo de cena – scene game – being the title of Eduardo Coutinho’s latest work, to
mention but one example), and an incisive exploration of the status of the ‘evidence’ that holds these two poles
in tension, including the use of digital imagery (Serras da desordem). Modalities of realism?

Yngjin Zhang
Paisagens em Movimento
Realidade, Visualidade e Translocalidade nos Filmes de Jia Zhangke

Esta comunicação analisa os filmes de Jia Zhangke, discutindo a realidade, a visualidade e a translocalidade. A
noção de “paisagens em movimento” refere-se ao fato de a natureza e cultura específicas de um lugar serem
crescentemente marcadas pelo capital translocal e pelos fluxos de trabalho. E, algumas vezes, a visualidade
cinemática é o meio fundamental para capturar o Real em transformação. Paisagens em movimento, portanto,
implicam na complexa negociação entre o artista, o Real e a tecnologia visual por meio de uma rede translocal.

Landscapes in Motion
Reality, Visuality and Translocality in Jia Zhangke’s Film

This paper approaches Jia Zhangke’s films in terms of reality, visuality and translocality. The idea of
“landscapes in motion” refer to the fact that nature and culture specific to a locality are increasingly
subjugated to translocal capital and labor flows and that sometimes cinematic visuality is the ultimate means of
capturing the Real in transformation. Landscapes in motion thus imply the complex negotiation between the
artist, the Real and visual technology through a translocal network.


10:30 – Conferência/Keynote Paper
Ivone Margulies (City University of New York)
apresentador e debatedor: Álvaro Fernández Bravo



A Presença Reencenada no Cinema Contemporâneo

Reencenação, definida como uma encenação que uma pessoa faz de eventos em que tenha tomado parte, é um
gênero performativo, próximo às narrativas de testemunho. Nas últimas duas décadas, a presença insubstituível
da pessoa Real tornou-se crescentemente conspícuo como um instrumento crítico para articular consciência e
história no cinema contemporâneo. Quero discutir a natureza e os usos dessa presença, analisando alguns filmes
contemporâneos, assim como a figura particularmente opaca e enigmática de Carapiru, índio da tribo Awa
Guaia, que reencena sua história no filme Serras da Desordem (2007), de Andrea Tonacci.

The Reenacted Presence in contemporary cinema

Reenactment, defined as the acting out, by a person of events in which she had taken part is a performative
genre close to the testimonial account. In the past two decades the unique, non-substitutable presence of the
original person has become increasingly conspicuous as a critical instrument to articulate consciousness and
history in contemporary cinema. I mean to interrogate the nature and uses of this presence by looking at a few
contemporary film examples as well as the particularly opaque enigmatic figure-that of Carapiru, an Indian
from the Awa Guaja tribe who reenacts his story in Andrea Tonacci’s 2007 film Serras da Desordem.



11:45 – Mesa-redonda/Panels
Repensando o Documentário / Panel Rethinking the Documentary
Andréa França (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)
Emilio Bernino (Universidad de Buenos Aires, Universidad del Cine)
Mediador: Álvaro Fernandez Bravo


Andrea França
O Cinema Documentário e o Retorno Daquilo que Foi

Certos documentários contemporâneos têm feito da repetição um modo de projetar a possibilidade da diferença
em direção ao já terminado, isto é, ao passado. A partir do cinema brasileiro recente, minha proposta é discutir
certas modalidades expressivas de que fazem uso os filmes como forma de tornar visível a repetição – de
situações, falas, encontros, gestos e emoções – e garantir a possibilidade daquilo que já ocorreu, assim como
uma outra relação com as imagens de interpelação realista da mídia.

The Documentary and the Return of What Has Been

Certain contemporary documentaries have turned repetition into a mode of projecting the possibility of a
difference with respect to that which has already terminated, in other words, the past. With a views to recent
Brazilian cinema, my proposal is to discuss certain modalities of expression employed by these films as a way
of visibilizing repetition: situations, modes of speech, encounters, gestures, emotions – warranting the ongoing
possibility of what-has-been, at the same time as proposing a different relation with the mass – media’s images
of realist interpellation.

Emilio Bernini
Una Arqueología de la Imagen: el Documental de Found Footage

El documental found footage revela que la imagen de archivo, con la que se alimentó históricamente el
documental en sus formas más objetivas, no es más que un uso positivo de la imagen, unívoco, fundamentado
en su caracter indicial. En el posdocumental, en cambio, la condición indicial de la imagen fotográfica o
cinematográfica es a la vez aquello que afirma su sentido asignado en un primer grado y aquello mismo que
también permite negarlo o deconstruirlo.

An Archaeology of the Image: The “Found Footage” Documentary

The found footage documentary reveals that the archival image, on which the documentary in its most objective
forms has historically relied in crucial ways, is but a positivizing use of an image taken as univocal, based on
its indexical character. In the postdocumentary, on the contrary, the indexical condition of the photographic or
cinematographic image is at once that which affirms its meaning assigned in the original context and that
which allows to deny or deconstruct the former.



13:30 – Almoço/Lunch

15:30 – Conferência/Keynote Paper
Laura Marks (Dena Wosk University)
Apresentador e debatedor: Maurício Lissovsky



Desdobrando o Real: Mediação como um Tecido Conectivo

Como podemos pensar em mediação, não como uma barreira para o Real, mas como um tecido conectivo
contínuo entre o espectador e o observado? Esta palestra propõe uma estética do cinema, centrada nos
movimentos de dobra e desdobramento; o conceito de dobra como uma forma de mediação, presente no
pensamento de Deleuze, Leibniz e no neoplatonismo. Uma fenomenologia das mídias como envworlding,
desenvolvido a partir do pensamento de Heidegger, por Vivian Sobchack, também contribue para essa
perspectiva. Testarei o conceito em trabalhos de cinema e de mídias digitais.

Unfolding from the Real: Mediation as Connective Tissue

How can we think of mediation not as a barrier to the Real but as a continuous, connective tissue between the
beholder and the beheld? This talk proposes an enfolding-unfolding aesthetics for cinema. The concept of the
fold as a form of mediation arises from the thought of Deleuze, Leibniz, and Neoplatonism. A phenomenology of
media as enworlding, developed from Heidegger’s thought by Vivian Sobchack, also informs this approach. I
will test this concept on contemporary works in cinema and digital media.



16:45 – Mesa-redonda/Panels
Encruzilhadas do Novo Cinema Argentino /
Panel New Argentine Film at the Crossroads
Ana Amado (Universidad de Buenos Aires)
David Oubiña (Universidad de Buenos Aires, Universidad del Cine e New York)
Mediador: Jens Andermann



Ana Amado
Visitas Guiadas al Território de los Desclasado

Analizare las representaciones post crisis en algunas películas argentinas recientes, que ponen el enfasis en
movimientos, actitudes, voces locales, prácticas regionales y otros rasgos que definen audiovisualmente “lo
popular”. A partir de un realismo en primer término espacial, y al mismo tiempo “encarnado”, estas poéticas
de exhibición del otro los transforma en objetos etnográficos. Ya no desde el registro de observadores
ventrílocuos o sabihondos, sino con una suerte de contraestrategia que consiste en situarse en la
ambivalencia de la representación misma y contestarla con los argumentos y los codigos de los
representados...

Guided Tours to the Territory of the Dispossessed

I shall analyze representations in the aftermath of the crisis in some recent Argentine films, which emphasize
movements, attitudes, local voices, regional practices and other features that audio-visually define ‘the popular’. On the
basis of a primarily spatial, yet at the same time ‘embodied’, realism, these poetics of exhibiting the other transform
these into objects of ethnography. However, the register here is not one of ventriloquous or onmiscient observers but
rather a kind of counter-strategy, located in the ambivalence of a representation that is being contested by the
arguments and codes of those represented.

David Oubiña
Riesgos y Desafíos del Cine Argentino Reciente

En la década del 90 un nuevo cine surgió en la Argentina: eran films independientes, jóvenes, originales, provocadores.
Frente a las recetas solemnes y artificiales del viejo cine, uno de los grandes méritos de esa renovación consistió en
desplegar una mirada frontal y sin prejuicios sobre lo Real. Sin embargo, en los últimos años, ciertos hallazgos iniciales
han ido cristalizándose a menudo en fórmulas cómodas y vacías. El nuevo cine también ha terminado por generar sus
lugares comunes.

Risks and Challenges of Recent Argentine Cinema

In the 1990s a new cinema emerged in Argentina, made up of independent, young, original, provocative films.
Challenging the solemn and artificial formulas of the old cinema, one of the great merits of this renewal was the
introduction of a frontal and unprejudiced perspective on the Real. In recent years, however, some of these
initial achievements have started to settle down into routine and vacuous formulas. The new cinema has started
to generate its own commonplaces.



18:30 – Palestra de Encerramento/Closing Lecture
Karl Erik Schöllhammer (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)
Apresentador e mediador: Jens Andermann



Além ou Aquém do Realismo de Choque?

A evocação de um “Retorno do Real”, feita por Hal Foster, em 1996, foi o pontapé inicial para a retomada do
interesse pelas formas de realismo extremo nas artes visuais contemporâneas. Rapidamente, a abordagem
expandiu-se para a literatura e para o cinema, enfocando temas e estilos de ruptura representativa e efeitos
estéticos de choque, por um lado, e linguagens híbridas entre documentalismo e encenação ficcional, por outro.
Partindo do mapeamento das formas históricas do realismo, a palestra discutirá os limites do realismo
traumático e o alcance da busca contemporânea por efeitos e afetos que se valem da presença material e do
agenciamento performático nas novas apostas de realismo.

Towards or Beyond a Realism of Shock?

The evocation of a “Return of the Real”, proclaimed by Hal Foster in 1996, was the point of departure for a
renewed interest in the forms of extreme realism in contemporary visual arts. This approach quickly crossed
over into literature and film, focusing on themes and styles of the break with representation and the aesthetic
effects of shock, on the one hand, and on the hybridities between documentarism and fictional staging, on the
other. The paper starts by mapping-out the historical forms of realism, moving on to discuss the limits of
traumatic realism and the scope of the present search for effects and affects in proposals of a new realism that
make use of forms of material presence and performative engagement.

Monday, 22 June 2009

COLOQUIO FERNANDA BRUNO

Série de Colóquios:
RESISTÊNCIA E CRIAÇÃO:
MÍDIA, CULTURA E LUTAS NO CAPITALISMO COGNITIVO.

Universidade Nômade e Fundação Casa de Rui Barbosa convidam para o IV Colóquio

INTERFACES TECNOLÓGICAS, CORPO, IMAGINÁRIO E DISPOSITIVOS DE CONTROLE

ERIK FELINTO (UERJ)
FERNANDA BRUNO (ECO/UFRJ)
GERARDO SILVA (ECO/UFRJ)
PAULA SIBILIA (UFF)

Quinta-feira 25 de junho de 2009
na Fundação Casa de Rui Barbosa das 14 às 17h00
Rua São Clemente, 134 Botafogo - Sala de Cursos

Informações: 3289 4636 e www.casaruibarbosa.gov.br
Entrada Franca

Tuesday, 14 April 2009

Olhares Mecânicos

1. Introdução:
Habituados a ver as câmeras de segurança como símbolos de uma sociedade em que o controle é crescente e a liberdade constantemente cerceada, o indivíduo contemporâneo demoniza as engenhocas por sentir-se parte de um Big Brother constante.
Os demonizadores das câmeras vêem na incorporação dessas no dia-a-dia a personificação do romance de George Orwell. A distopia inglesa “1984” apresentava um mundo em que os indivíduos eram constantemente sujeitos ao controle através das câmeras, ate mesmo dentro de suas casas.
De fato, as câmeras de vigilância brincam com o tênue limite entre o privado e o publico no mundo pós-moderno. Mas analisando a sociedade atual, cabe a questão: não seriam as câmeras de vigilância apenas mais um elemento de um fenômeno contemporâneo de confusão entre privado e publico do que o próprio fenômeno em si?
Ao longo do texto, apresento as câmeras sob um novo foco. Tento possibilitar uma nova relação com as mesmas. Afinal, a presença delas já é inquestionável. Elas não vão deixar de ser instaladas. A relação com as mesmas pode, no entanto, transformar-se em algo mais interessante se, ao invés de simplesmente opormos a elas, buscarmos novas formas de interação.

2. A Tênue Linha entre Público Privado:
Uma das críticas mais freqüentes às câmeras de vigilância é a de que estas estariam invadindo o espaço privado. Os indivíduos sentem-se cerceados e observados o tempo todo, em momentos até em que se questiona o que, afinal, há para se observar. Quem nunca se incomodou com a presença indiscreta das câmeras nos elevadores, por exemplo? A simples decisão de ajeitar o soutien ou dar uma coçada mais indiscreta no nariz é às vezes inibida pela presença do olho mecânico.
A questão é que, o trajeto feito no elevador, por exemplo, classicamente um tempo de repouso – pela ausência do olhar do outro – ganha outro sentido quando se está sob o olhar vigilante. O momento de pausa perde um pouco a espontaneidade.
E o que dizer das câmeras em residências? Colocadas sob a justificativa da proteção, empregadas domésticas e babás são submetidas à monitoração constante – e freqüentemente não declarada – dos patrões através das filmadoras.
Tudo isso gera um incomodo crescente, pois a sensação é a de que o privado torna-se público. Se pensarmos no lazer do homem contemporâneo, no entanto, fica difícil compreender o que exatamente o incomoda nessa questão quando, voluntariamente, as pessoas expõem, em seu lazer, sua vida privada.
As redes sociais como Orkut e Facebook ilustram bem essa questão. Usados em momentos de lazer, nada mais são do que uma grande confusão entre o que é privado e o que é público. Os usuários liberam na internet fotos íntimas, com família ou parceiros a quem quiser acessar. É a vigilância concedida.
E o que dizer do sucesso dos programas de realidade – os reality shows – em detrimento da ficção. O famigerado – e aparentemente infindável – Big Brother da Rede Globo atinge índices de audiência e se reverte em um faturamento com publicidade muito maior do que os filmes da Tela Quente, por exemplo. Há um fetiche pela ilusão de realidade do programa. O curioso é que este consiste em nada mais do que um grupo de pessoas sujeitas à vigilância constante em suas vidas “normais”. Não há nada de extraordinário ocorrendo, é apenas o cotidiano de um grupo de adultos em uma casa.
Esse valor positivo que a câmera recebe quando é aplicado ao entretenimento é um forte indício que há espaço para a construção de uma relação mais positiva do homem com as câmeras de vigilância.

3. Deleuze e a Sociedade de Controle:
Em seu livro “Conversações”, Deleuze traça uma evolução histórica da sociedade. A origem começa na sociedade de soberania, evoluindo para a sociedade disciplinar e culminando, nos dias de hoje na sociedade de controle.
A diferença central entre a sociedade disciplinar e a de controle seria de que, nas sociedades disciplinares, o controle se dava de forma descontínua. Entre a passagem da família para a escola e da escola para a fábrica, havia a sensação de recomeço. Ainda que em todas as instituições houvesse uma tentativa de se moldar o indivíduo, esses moldes variavam, havia a sensação de mudança.
Na sociedade de controle, os moldes são menos duradouros, de curto prazo, com uma rotação mais rápida. No entanto, não há a sensação de ruptura e recomeço. O homem contemporâneo estaria atrelado a uma sensação um tanto angustiante de estar presa a uma situação continua. Uma sociedade onde nada termina.
O assustador é que, enquanto a vigilância e o controle na sociedade disciplinar estavam restritos a ambientes fechados, na sociedade pós-moderna o controle se dá em ambientes públicos, ao ar livre. Torna-se muito mais difícil a sensação de privacidade existir quando, nem mais a casa das pessoas é um ambiente de refúgio do olhar de uma esfera de controle.
No entanto há um fato ao qual já atentamos na Introdução e que parece ser central ao lidar com a presença desses mecanismos de controle: as câmeras de vigilância são realidade. A presença delas na vida do cidadão dos grandes centros urbanos não faz mais parte de uma projeção futurista. Elas já estão nos observando, e, pelo menos tão cedo, não parece que vão ser descartadas.

4. Artistas e Câmeras:

Com essa informação em mãos, e munidos também de visão crítica, mas bem-humorada, muitos artistas criam trabalhos utilizando-se dessas geringonças, buscando assim uma forma mais positiva de conviver com esse novo elemento. É daí que pode nascer uma nova relação.
Seguindo à polêmica instalação das câmeras no Centro de Produções Multimídia (CPM) na Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, os alunos propuseram uma intervenção bastante curiosa.
Ainda que o homem contemporâneo esteja habituado à linguagem audiovisual, sua relação mais forte – e, portanto, na qual baseia a sua construção de sentido sobre as imagens – é com a ficção. E em obras ficcionais, um objeto ser foco da câmera só se justifica se, dali, nascer algum acontecimento. O olhar da câmera só se justifica quando algo de extraordinário se passa.
A imagem “real”, em real time, sem cortes ou edição, ainda é um elemento muito novo. Portanto, a relação que o indivíduo cria com esta é de expectativa, a eterna espera de que algo fora do comum vai acontecer. Tanto é que mesmo os ditos reality shows são editados seguindo a lógica da narrativa clássica de audiovisual: com elementos de intriga, suspense e romance. O cotidiano puro é entediante para o espectador. A atenção de um homem frente a uma câmera de vigilância, por exemplo, cai 70% após uma hora – motivo este pelo qual se privilegia o “vigilante automático”, o computador.
Com estes elementos em mão, os alunos da ECO fizeram uma performance baseada em acontecimentos absolutamente fora do comum, com invasões de extra-terrestres, danças e uma tresloucada Amy Winehouse. Desta forma ficava claro e aberto o espaço à discussão de como se buscar uma nova interação com essas câmeras, ao invés de simplesmente se opor a elas.

5. Conclusão:
As câmeras estão aí mirando a todos o tempo todo. Muitas vezes de forma imperceptível, mas sempre presentes. Por serem muito recentes ainda provocam bloqueios e estranheza. O desconforto inicial.
Mas, tendo o caminho de exploração desbravado por artistas, começa, ao menos a surgir a possibilidade de uma nova relação com as mesmas. Fascínio, a ilusão de realidade já exerce. Junto com as câmeras de vigilância popularizam-se reality shows, por exemplo.
Aberto está o campo para a discussão. Se o olhar eletrônico será eternamente demonizado como controlador, objeto de fascínio, ou, quiçá, visto como uma forma de zelo, de cuidado, só o tempo dirá. Até lá, sorria que você está sendo filmado.

Texto escrito por Heloisa Granja para a disciplina Estética da Vigilância - ECO/UFRJ


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